terça-feira, 24 de outubro de 2017

Four seasons, please! Dunhuang | China



Seis pinturas da série Four seasons, please (2017) na representação portuguesa "A possible breve, whispers" organizada pela galeria Arte Periférica, na exposição colectiva internacional "Dialogue With Masters". International Convention and Exhibition Center, Dunhuang. China, 20 Setembro-10 de Outubro, 2017.

sábado, 20 de maio de 2017


Seashells #2, 2017. Acrílicas s/tela, 150x195 cm

34:111. Acrílicas s/ tela. 140x420 cm
Pintura para a Nova Medical School, Lisboa.

Fragmentos de 34:111


Casa das Histórias Museu Paula Rego, Cascais, abril 2015 (com Pedro Calapez)

Algumas "meninas" na colectiva Diálogos Ibero-americanos. GAP, Vitória ES, Brasil, dezembro 2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

A menina (não) fica em casa


Isabel Sabino - A menina (não) fica em casa
Intervenção pictórica no Museu Militar de Lisboa, de 15 de junho a 30 de setembro de 2016
Vitrina esquerda: Mulheres d'armas (15 pinturas com retrartos das pioneiras do feminismo português)
Vitrina direita: As meninas (não) ficam em casa (33 pinturas sobre as mulheres na 1ª GG)
Em frente, nas Sala da Grande Guerra: Miss Maria (Instalação pictórica)

Este projecto insere-se no ciclo "Evocações da Grande Guerra" e foi concebido para as salas que, no Museu Militar de Lisboa, assinalam a 1ª guerra mundial e a participação portuguesa. Marcadas pela presença imponente de inúmeras obras e objectos, nestas salas destacam-se especialmente as grandes pinturas de Sousa Lopes, realizadas após o represso do artista da frente francesa.
A intervenção de Isabel Sabino inscreve a presença das mulheres num museu dedicado a temas militares e, pela via da tradição da pintura histórica, uma leitura contemporânea da presença das mulheres não apenas nos contextos estritos da guerra de 14-18, mas também da luta pela sua emancipação, assinalando ainda temas particularmente agudos das mulheres hoje.

A menina (não) fica em casa - 1: Mulheres d'armas


Mulheres d’armas 
14 retratos individuais de portuguesas feministas da geração das pioneiras (18-13 cm) e 1 retrato colectivo da Cruzada das mulheres Portuguesas (30x40 cm).
Acrílicas s/ tela.




A menina (não) fica em casa - 2: As meninas (não) ficam em casa



As meninas (não) ficam em casa
33 pinturas de diferentes formatos, Téc. mista de acrílicas  s/ tela








A menina (não) fica em casa - 3: Miss Maria

Miss Maria 
Objecto/instalação com 100 retratos individuais e colectivos
Cerca de 7 m x 3 m x 1,7 m. Materiais têxteis e outros







Miss Maria é um objecto/instalação que evoca as trincheiras construídas pelas mulheres italianas, durante a 1ª Grande Guerra, na frente do rio Piave. Diversas das mais comuns, estas trincheiras, em vez de serem escavadas, eram levantadas a partir do terreno com pilares de madeira entrelaçados por vime. Agora, no centenário da participação portuguesa nessa guerra, este objecto vem trazer em imagens algumas das situações inadmissíveis de que as mulheres continuam a ser vítimas nos cenários dos confrontos militares e não só: violência, violações, escravatura sexual; ataques com ácido por mau uso do lenço (bad hijab); casamento infantil; e MGF (mutilação genital feminina).

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A menina (não) fica em casa | Girls (don't) stay home - Museu Militar, 15 junho, 17h30


Aspeto parcial do conjunto de pinturas “A menina não fica em casa” (2016, acrílicos s/tela, formatos vários entre 13 e 27cm). A intervenção no museu inclui outro conjunto de pintura e um objeto instalativo.
Part of the group of paintings “Girls don’t stay home” (2016, acrylics on canvas, different sizes between 13 and 27 cm). The intervention in the museum includes another group of paintings and an installation.
                
          não

A   MENINA FICA   EM   CASA


Este projeto de intervenção artística no Museu Militar, nas salas dedicadas à participação portuguesa na 1ª Grande Guerra, por ocasião do centenário desta, assume como perspectiva um olhar feminino.

Quando se percorre as salas deste museu surgem diferentes imagens da mulher: começando pelo retrato da jovem rainha D. Maria por Joaquim Rafael, há algumas figuras de mulheres associadas à história de Portugal, tais como a mulher de Egas Moniz com ele a entregar-se ao rei de Castela (por Malhoa), ou Inês de Castro (por Columbano).
Mas a maioria da figuração feminina neste museu é, de facto, da ordem do imaginário, um imaginário que, de certa forma, povoa o espírito guerreiro: alegorias da vitória, da fama e da glória ou dos lugares de conquista, guerreiras ou anjos protetores, mas também assombrações do terror, esposas, mães enlutadas e carpideiras, ou ainda deusas, ninfas e Nereides, aparições sensuais de amantes longínquas.

Na sombra destas, podem contudo supor-se também mulheres discretas, história invisível nos bastidores dos objetos necessários à guerra e à vida que continua: laborando uma arma, um agasalho, uma maca, um curativo ou uma oração, em especial no contexto da guerra de 14-18. Para além do museu, as histórias reais acumulam-se tanto como as suspeitadas, imaginadas, ou absurdas - como a acusação de espionagem hipotética a Sonia Delaunay, em abril de 1916, por as suas telas abstratas, a secar ao sol na casa da Rua dos Banhos de Vila do Conde, terem sido vistas por alguém como avisos em código aos submarinos alemães que passavam ao largo: no fundo, um outro tipo de participação na guerra que a certas mulheres se poderia imputar.

Seguindo à letra a designação corrente da Guerra 14-18 como “guerra das trincheiras”, e sob os exemplos inspiradores da Cruzada das Mulheres Portuguesas, de algumas mulheres das gerações de vanguarda feminista no nosso país e, em especial, das mulheres construtoras de trincheiras na frente do Rio Piave (Norte de Itália), este projeto toma como alegoria a construção de uma trincheira.
Assim, a invocação desse reduto bélico expressivo da ação dupla de defesa-e-ataque surge aqui corporizada por gestos ancestrais de labor e de potencial solidariedade feminina e pacifismo na especificidade das linguagens plásticas e pictóricas usadas (pequenas pinturas sobre tela e um objecto instalativo), num tempo em que as trincheiras reais são obsoletas e um outro tipo de guerra menos visível – a de iníquas e recorrentes violências de género, frequentemente associadas ao terrorismo – parece estar de regresso e para ficar, a não ser que as próprias mulheres pensem e ajam mais decisivamente.


     don’t 

GIRLS  STAY   HOME    


This artistic intervention at the Military Museum, in the rooms dedicated to the Portuguese participation at the 1st World War, on the occasion of the centenary of this, assumes a feminine look as its perspective.

When we walk through this museum different images of women appear:
Starting by the portrait of the young Queen D. Maria by Joaquim Rafael, there are some women figures associated with the history of Portugal, such as the wife of Egas Moniz with him before the king of Castela (by Malhoa), or Inês de Castro (by Columbano).
However, in this museum most feminine figuration belongs to imagination, an imagination that, in a way, dwells inside de war spirit: allegories of victory, fame and glory or conquest of places, warrior or guardian angels, but also ghosts of terror, grieving wives, mothers and mourning women, or goddesses, nymphs and Nereides, sensual apparitions of distant lovers.

In the shadow of all this, nevertheless, we can also glimpse discreet women, invisible stories behind the scenes of the objects needed by war and life going on: labouring a weapon, a coat, a stretcher, a healing or a prayer, especially in the context of war 14-18. Beyond the museum, real stories accumulate as much as the suspected, imagined, or absurd ones – such as the hypothetical espionage charge to Sonia Delaunay in April 1916 for his abstract canvases, drying in the sun in the house of the street of Vila do Conde baths, have been seen by someone as coded warnings to passing offshore German submarines: after all, another type of participation in the war that certain women could be ascribed too.

Literally following the current designation of WW1 as "trench warfare", and under the inspiring examples of the Portuguese Women Crusade, of some women of the feminist Portuguese avant-garde generation and, specially, of those women who built trenches at the front of Piave River (Northern Italy), this project takes the construction of a trench as allegory.
Thus, the invocation of this military device expressive of the dual action of defence-and-attack is embodied here by ancient gestures of labour and potential women’s solidarity and pacifism in the specificity of the used plastic and pictorial languages (small paintings on canvas and an installation object), at a time when real trenches are obsolete and another kind of war – the iniquitous and recurrent gender violence, often associated with terrorism – seems to be back and stay, unless women themselves think and act more decisively.


Isabel Sabino, April 2016 




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

E os ríos nascem no mar | Algumas imagens de obras da exposição no LUGAR DO DESENHO - Fundação Júlio Resende

Repared, repaired. 2014    
Técn. mista de grafite e aguadas s/ papel, 120x150 cm
(
Coleção Núcleo do Calçado de S. João da Madeira).

The rush. 2014  
Técn. mista de grafite e aguadas s/ papel, 120x150 cm (Coleção Núcleo do Calçado de S. João da Madeira).

L'invitation au voyage I. 2015  
Técn. mista de grafite e aguadas s/ papel, 100x150 cm 

L'invitation au voyage II. 2015  Técn. mista de grafite e aguadas s/ papel, 100x150 cm 

Seashells. 2015
Acrílicos s/ tela,  150x180 cm
.

sábado, 31 de outubro de 2015

…os ríos nascem no mar | Exposição no LUGAR DO DESENHO - fundação Júlio Resende




































Fragmentos de obras expostas. 
VER: http://www.lugardodesenho.org/005.aspx?dqa=0:144:0:12:0:0:-1:0:0





Mas eu sei que a palavra beleza não é nada, sei que a beleza não existe em si mas é apenas o rosto, a forma, o sinal de uma verdade da qual ela não pode ser separada.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Arte Poética I

Mar, rio, lago, cascata: estas palavras invocam imagens, sejam de lugares que conhecemos ou inventamos. Permitam-me que use ambas, imagens e palavras, para vos introduzir à possibilidade de acesso a um espaço em que natureza e mundo se separam tanto quanto se une o que vemos, ouvimos, ou sentimos de outros modos.

Diga-se assim, desde já, que estas paisagens não são apenas para ver. Se, por um lado, nascem de memórias confusas ou sonhos acordados, se aludem a lugares reais ou àqueles que a caprichosa necessidade do processo transforma, ou se há narrativas que submetem formas ou formas que inventam enredos, também trazem acordes de música no ar, vozes filtradas pelo meio de outros sons, cheiros intensos que a cor destila, vento, brisa, calor, frio. Para quem vive um quotidiano intensamente carregado com exigências do real, da razão e dos outros, a pintura carece ser espaço de imensa liberdade, que permita que o pensamento flua como for preciso e, sem barreiras, nexos impostos e preconceitos, aceda a essa espécie de caldo primordial onde cada um, ao encontrar-se a sério consigo mesmo, talvez pressinta um caminho para os outros, de outro modo. Aqui, o que tem que ser, como disse Sophia do poema, “nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes (…) inteireza”.

Em suma, se nestas obras há uma verdade lá no fundo, as ideias imbuídas no ambiente e nos personagens não são apenas visíveis nem carecem de recorte à lâmina, antes vivem submersas no todo que as faz e que elas afectam. Logo, sem deixar de ser pintura e privilegiar  a superfície, abre-se à hipótese de regresso e invenção de um lugar onde o espaço não tem dimensões e a pura visualidade não existe.

Aliás, tão ingrato como parcelar o mar e os rios será dizer que estas paisagens são apenas território, pois o seu cariz interior  e mental ou o tom bucólico não implicam que se trate de um retrato, tanto quanto de uma elegia de um certo espaço natural. Se existe potencial poético (e político) para uma alegoria, desvia-se claramente da relação estrita com a natureza.

De resto, aqui o que interessa não é a natureza mas o mundo, são momentos significativos do mundo que se expande e fragiliza. Nesse mundo, onde os elos todos os dias se quebram e multiplicam desenfreadamente, cabem reinos ainda mais vulneráveis, como aquele de que Sophia também fala, “aquele que cada um por si mesmo encontra e conquista, a aliança que cada um tece”. E, se ele habita nas formas perfeitas das ânforas de barro antiquíssimas, talvez também a pintura possa continuar a constituir acesso para uma ligação das coisas.

Posso ainda dizer que, face a mostras anteriores, desta vez há uma trama mais larga de histórias possíveis, situação de síntese e transição. Mantém-se a aparência da paisagem onde se movem personagens, contextos visuais e cenas que têm, por vezes, arranque em pretextos propiciadores: ecos de uma ária de ópera ou de uma canção ligeira, impressões de um filme, um facto real como uma frase numa parede ou uma mensagem de telemóvel. Antes já houve uma morte numa piscina, rosas que foram pão e ao contrário, depois uma canção sobre dar e pedir de volta e, sempre, ter e perder no vai e vem da vida; a seguir virá um filme em que, no meio de uma tempestade, os bandidos mantém fora de abrigo os indígenas que subsistem de artefactos feitos de conchas. Aqui, desta vez, a questão que me coloco na preparação da história que se segue - abrandando o ritmo e voltando talvez atrás num ponto da situação e reelaboração em que os desenhos são essenciais – é descobrir como pode ser trabalhado o potencial humanista e eventualmente político (para já apenas visualizável mediante clichés que nada me interessam), armadilhando olhar e emoções por meios pictóricos.

Estou ciente, contudo, que as histórias em si valem o que valem, quase sempre isso é pouco e não interessa o que foi ou é. Conta sobretudo o que pode ser, ou seja, a capacidade dos pretextos para desencadearem conexões cujo sentido ilumine com um grão de esperança, por um momento que seja, o peso das coisas, o nosso imaginário e, desse modo, o nosso caminho no mundo.
Suponho que seja para isso a arte. E nesta, no seu conceito lato e multifuncional, persiste um reduto essencial que não se traduz por grandes relações de causa e efeito, mas é discretamente decisivo no movimento da vida através de nós, seja profundo como um rio subterrâneo ou gasoso como as gotas contidas nas nuvens.
Sim, aqui, os rios nascem no mar.[1]




... rivers are born in the sea[2]

Saying that these landscapes are just territory is so ungrateful as to parcel the sea and rivers, because their interior and mental feature or their bucolic accent don’t imply a portrait, as much as an elegy of a certain natural space. If there is poetic potential (...) for allegory, it clearly deviates from the close relationship with nature. Moreover, what matters here is not nature but the world, significant moments in the world that expands and weakens. In such a world, where every day ties are broken and wildly multiply, can fit even more vulnerable kingdoms, like the one that Sophia also speaks about, "the one that everybody for oneself finds and conquests, the alliance that each one weaves." And if this kingdom lives in the perfect forms of ancient clay amphorae, perhaps painting can continue to provide access to a connection of things.
(...)

Here, this time, the issue I put myself in the preparation of the following story - slowing down the pace and perhaps back into a reflection and re-elaboration stage where drawings are essential - is to figure out how humanist and eventually political potential (for now only viewable by clichés that do not interest me at all) can be worked, trapping look and emotions by pictorial means.

[1] Vozes da canção Loucos de Lisboa (Ala dos Namorados ou Rui Veloso).

[2] Song Loucos de Lisboa (Ala dos Namorados / Rui Veloso).